O Setembro Amarelo é uma importante campanha de prevenção ao suicídio. Assim, esse movimento organizado pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) tem como foco a valorização da vida e a saúde mental.
Você sabe qual é o significado do Setembro Amarelo?
Essa é uma campanha que tem o objetivo de alertar o público sobre o suicídio. Ele muitas vezes é motivado pela depressão, mas, mesmo com o número de casos maior a cada ano, o tema ainda é um tabu na sociedade.
De acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), em 2019, mais de 700 mil pessoas tiraram a própria vida. Aliás, o suicídio é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Além disso:
- Em países de alta renda, homens suicidam mais do que as mulheres;
- Já em nações de baixa e média renda, as mulheres possuem as taxas mais altas.
Todos os dias, cerca de 32 brasileiros cometem este ato. Por fim, essas estatísticas poderiam ser reduzidas ou evitadas se houvessem políticas mais eficazes na prevenção ao suicídio. Ainda, seria melhor se o assunto fosse tratado de modo transparente, sem tabus.

Foto: Assuma a causa do Setembro Amarelo e esteja ao lado de quem precisa de apoio emocional
Qual é o principal objetivo do Setembro Amarelo?
Agora que já sabe o que é Setembro Amarelo, entenda que o objetivo da campanha é conscientizar o público sobre a prevenção ao suicídio. Dessa forma, também tem como foco alertar a todos sobre essa realidade tanto no Brasil quanto no mundo.
Perceba que a melhor maneira de evitar que alguém cometa esse ato é por meio de diálogos e conversas sobre esse assunto. O suicídio é a prática em que a pessoa tira a própria vida de modo intencional.
Durante todo o nono mês do ano, atividades são postas em prática, a fim de:
- Sensibilizar a sociedade;
- Mobilizar os profissionais da área sobre esse tema;
- Focar na importância de cuidar da saúde mental.
Mesmo hoje, para muitos, quando alguém tira a própria vida, tal ato é visto como uma fraqueza do ser humano. No entanto, acima de tudo, essa é uma questão de saúde pública e deveriam haver mais campanhas para educar a população sobre o tema.
Conheça a origem dessa campanha no Brasil
O Setembro Amarelo surgiu no Brasil no ano de 2015 por uma iniciativa de três entidades, são elas:
- CFM (Conselho Federal de Medicina);
- ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria);
- CVV (Centro de Valorização da Vida).
Com isso, as primeiras ações aconteceram apenas em Brasília. Mas, no ano seguinte, várias outras partes do país abraçaram a campanha e também realizaram atividades sobre o tema.
A IASP (Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio) estimula que se divulgue a causa no dia 10 de setembro em todo o mundo, visto que essa é a data em que se celebra o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
10 de setembro
Essa data foi criada em 2003 pela IASP e a OMS, a fim de prevenir o ato do suicídio. Para isso, diversos países precisaram se mobilizar e adotar ações estratégicas. Então, 70 governos se uniram e realizaram mais de 600 atividades com o propósito de salvar vidas.
A importância do Setembro Amarelo
Entender como a campanha Setembro Amarelo é importante, de fato, oferece mais chances de ajudar aqueles que estão passando por algum transtorno emocional ou mental.
Um deles, por exemplo, é a depressão, uma condição cada vez mais comum no Brasil e cujas estatísticas alertam sobre a necessidade de dar a devida atenção a essa doença silenciosa.
Os dados sobre depressão no Brasil são alarmantes
De acordo com a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), existem mais de 300 milhões de pessoas com depressão no mundo. Tal condição afeta várias idades, gêneros e classes sociais.
O mesmo estudo também trouxe dados sobre essa doença no Brasil:
- 5,8% dos brasileiros sofrem desse mal, ou seja, cerca de 11,5 milhões;
- Menos de 10% recebem o tratamento adequado;
- Em toda a América Latina, o país lidera o ranking em casos de depressão.
Essas estatísticas comprovam que é preciso falar de forma mais aberta sobre os temas ligados à saúde mental. Bem como, estimular a procura por ajuda de especialistas na área.
Vale frisar que, acima de tudo, a falta de auxílio adequado à pessoa depressiva pode fazer com que o seu quadro clínico evolua para algo mais grave como o ato de suicídio.

Foto: Os dados sobre depressão no Brasil são alarmantes
Saiba identificar os sinais de alerta de quem está em sofrimento
Algumas situações podem afetar o estado mental de uma pessoa, ainda mais no caso dos mais jovens, como:
- Estresse;
- Consumo de bebida em excesso;
- Brigas familiares;
- Crises de depressão.
Diante disso, em pleno Setembro Amarelo, torna-se essencial saber reconhecer os sinais de alerta de quem está em sofrimento e considera tirar a própria vida. Dessa forma, são eles:
- Falta de interesse em fazer o que mais gosta;
- Pensamentos negativos;
- Mudanças de humor extremas (rancor e raiva);
- Baixa auto estima, tristeza e solidão;
- Isolamento social;
- Apatia e pessimismo;
- Intensas emoções de culpa, remorso ou vergonha.
Saiba que as pessoas que cometem suicídio não desejam tirar a própria vida, mas sim se ver livre das razões pelas quais elas sofrem. Portanto, enxergam nesse ato uma saída para escapar dos problemas e da dor.
Como ajudar quem apresenta um comportamento suicida?
Para quem tem um familiar, amigo ou colega de trabalho que apresenta alguns dos sinais mencionados no tópico anterior, certas ações podem ajudar, por exemplo:
- Dar apoio e ser gentil;
- Ficar calmo, ouvir com atenção e ser empático;
- Levar o caso a sério e analisar o grau de risco;
- Questionar sobre pensamentos e tentativas de suicídio;
- Demonstrar cuidado e preocupação;
- Entender as emoções da pessoa, sem diminuir a importância delas;
- Ficar ao lado do indivíduo;
- Oferecer ajuda;
- Respeitar a dor alheia.
Essas são dicas básicas para auxiliar alguém que está enfrentando dificuldades. Agora, neste mês do Setembro Amarelo, saiba o que não fazer ao se confrontar com alguém que pensa em tirar a própria vida.
O que não se deve fazer
Nunca ignore uma pessoa que demonstra um comportamento ou pensamentos suicidas. Além disso, não entre em pânico e nem transpareça choque com a situação. Aliás, não tente diminuir a dor alheia.
Jamais faça com que o problema pareça algo pequeno, sem importância. Acima de tudo, nunca deixe o indivíduo sozinho durante uma crise e nem o julgue. Por fim, incentive a pessoa a buscar uma rede de apoio com família, amigos e ajuda de um profissional.

Foto: No Setembro Amarelo, caso tenha pensamentos suicidas, procure ajuda profissional
Entenda o que significa a sigla CVV na campanha Setembro Amarelo
O CVV é uma instituição voluntária gratuita que atua na prevenção ao suicídio. Assim, essa ONG trabalha em sigilo e oferece suporte emocional a quem sofre de depressão ou outros transtornos.
Esse Centro não substitui a Psicoterapia ou qualquer outro tipo de tratamento psicológico, vale mencionar. No entanto, ele é uma opção para quem deseja conversar de forma segura e acima de tudo, anônima.
Uma ONG essencial na prevenção ao suicídio
O CVV conta com voluntários prontos para dialogar com quem precisa, 24h por dia. Além disso, não é necessário passar nenhum tipo de contato ou identificação. É possível conversar com a equipe dessa ONG por diferentes canais como:
- Chat;
- E-mail;
- Telefone: 188.
Vale reforçar, aliás, que tudo o que for dito é sigiloso, o que gera mais segurança e conforto para quem precisa de ajuda e não quer falar com conhecidos por vergonha ou receio de serem julgados.
Ideias de ações para salvar vidas
No Setembro Amarelo e também durante todo o ano, há algumas atividades que você pode realizar de forma individual, a fim de ajudar a salvar vidas. Dessa forma, conheça três boas ações práticas logo a seguir.
Preste atenção aos sinais suicidas
Na maioria das vezes, há indícios, ou seja, um pedido de ajuda mesmo que indireto. O ato de se isolar e dizer certas frases são alguns sinais de alerta como:
- “Quero sumir”;
- “Vou te deixar em paz”.
Sozinhas, essas expressões e atitudes não confirmam nada, mas é essencial ficar atento a partir do primeiro indício e acima de tudo, se mostrar disposto a ouvir.
Outro aspecto importante é monitorar as redes sociais da pessoa, visto que é uma prática comum se expressar nessas plataformas.
Não faça julgamentos
Jamais diga que um pensamento suicida é uma frescura ou uma forma de chamar a atenção. As dores e as emoções alheias precisam ser respeitadas antes de tudo.
Indique ajuda
Estimule a pessoa a buscar ajuda de profissionais da área de saúde mental. Dentre eles, pode-se citar:
- Psicólogos;
- Psicanalistas;
- Psiquiatras.
Ainda há clínicas, bem como, ONGs como o CVV, que oferece apoio de forma gratuita e anônima. Seja qual for o canal de ajuda, o importante é dar o primeiro passo para superar essa situação.
Psicoterapia ajuda na prevenção ao suicídio?
A Psicoterapia pode ajudar na prevenção ao suicídio. Isso porque, o psicólogo oferece um espaço acolhedor para que a pessoa se sinta à vontade para se abrir e falar sobre o que sente. Dessa maneira, o trabalho da psicologia neste caso é:
- Ajudar o indivíduo a identificar as suas emoções;
- Compreender os contextos que contribuem para intensificar o seu sofrimento;
- Descobrir o que são emoções e como expressá-las;
- Reconhecer ideias suicidas e como prevenir ações danosas;
- Promover qualidade de vida.
Neste mês de Setembro Amarelo, com o tema de saúde mental em foco, de fato, se você ou alguém que conhece tem tido pensamentos que possam colocá-lo em risco, procure ajuda imediata.

Foto: Tenha uma rede de apoio confiável para lhe dar suporte nos bons e maus momentos da vida
Dicas para cuidar da saúde mental no Setembro Amarelo
Segundo a OMS, a saúde mental está relacionada ao bem-estar, bem como, a maneira como alguém reage às emoções negativas e positivas. Dessa forma, veja três ideias para colocar em prática e assim, olhar com mais gentileza para si mesmo e sua própria vida.
Tenha uma rede de apoio
Mesmo quando se deseja ficar só, isso não muda o fato de que o ser humano é sociável e por isso, está sujeito a buscar a presença de outras pessoas.
Crie laços com aqueles que lhe fazem bem e se importam com você. Dessa forma, mantenha-os por perto, seja para compartilhar momentos bons ou dividir as dores e angústias.
Seja a sua maior prioridade
Tire um tempo para si mesmo. Assim, pare por um momento e faça algo que goste por puro e simples prazer, como:
- Ouvir a sua música favorita;
- Descansar;
- Entrar em contato com a natureza;
- Assistir a um filme;
- Ler um bom livro.
Seja lá o que for a atividade de sua escolha, adicione ela no seu dia a dia. Acima de tudo, não se esqueça de colocar a si mesmo como a sua maior prioridade.
Cuide do seu corpo
Mente e corpo estão conectados. Por isso, tenha boas noites de sono, coma de forma saudável e faça exercícios físicos, a fim de gerar mais bem-estar a sua rotina.
Setembro Amarelo: ajude a salvar vidas
Agora que já sabe tudo sobre o Setembro Amarelo, chegou o momento de fazer a sua parte. Então, caso conheça alguém que está tendo pensamentos suicidas, fazendo rituais de despedida (cartas e testamento) ou esteja se isolando, estimule-o a procurar ajuda.
Deixe claro que esse tipo de atitude não é algo para se ter vergonha e nem é uma questão de fraqueza. Além disso, quanto antes buscar o auxílio médico, maiores são as chances de superar essa situação.
O mais importante é dar todo o apoio que a pessoa precisar. Já que, a maioria dos casos de suicídio acontecem porque o indivíduo se sente só, acima de tudo e sem valor.
Ações de combate ao suicídio
Você pode fazer mais do que apenas saber reconhecer os sinais de alerta de quem está sofrendo. Então, você pode, por exemplo, convidar a pessoa para sair ou fazer alguma atividade interessante.
No caso de instituições, vale a pena incentivar escolas, empresas e universidades a fazerem debates, palestras, entre outras ações. Dessa forma, fica mais fácil oferecer uma rede de apoio para quem precisa.
Caso queira fazer ainda mais, seja um voluntário no CVV. Assim, esteja aberto a conversar com quem mais precisa ser ouvido. Por outro lado, se você necessita de auxílio e deseja dialogar de forma gratuita e anônima, ligue 188 e procure ajuda.
Um abraço e conte comigo.
Lúcia Serrão do Nascimento
psicóloga e psicanalista CRP 06/36055